‘Você pra mim é lucro’, diz a canção! E no seu negócio, você sabe calcular ganhos?

voltar

A banda Baiana System canta bem alto em um dos seus sucessos: “Lucro, você pra mim é lucro”. E, em seguida, critica: “Máquina de louco”. Mas cá entre nós, à parte da arte musical e da crítica social, sabemos que a educação financeira é muito importante para todo microempreendedor. E, pensando nisso, levantamos a questão: “Você sabe como calcular os ganhos do seu negócio?” Então, bora, minha gente, vamos tirar qualquer dúvida sobre margem de lucro e ajudar a encontrar o melhor preço de venda para depois criar a estrofe… [sobe o som] “Lucro, no meu negócio eu lucro”!

Agora, antes de entrarmos de cabeça na música, quer dizer, na margem de lucro, é importante ter em mente alguns conceitos que serão fundamentais para a gente conseguir colocar em prática o cálculo dos ganhos.

Lucro e formação de preço de venda

Com uma consultinha básica ao dicionário podemos ver que lucro, no que diz respeito à parte econômica, é um “ganho que se obtém, resultante da diferença entre a receita e o custo de produção”. Opa, já temos aí uma boa dica para depois calcularmos a nossa margem de lucro. Mas vamos em frente!

Tudo vai ficar mais fácil de entender com um exemplo. Vejamos! Vamos supor que uma empresa compra peças de automóvel por R$ 50 e as revende por R$ 75, então, à primeira vista, tem um lucro de R$ 25 em cada peça, não é mesmo?

No entanto, se olharmos mais a fundo, só porque a peça custou R$ 50 e foi revendida por R$ 75 não quer dizer que esses R$ 25 que sobraram vão parar no caixa da empresa, ou no bolso do microempreendedor, se for o caso. Até porque pode ser que existam outros custos envolvidos na equação.

Justamente por isso, é importante falarmos da formação do preço de venda. “Oi, como assim?”, você pergunta. Sim, é importante fazer as contas levando em consideração tudo isso: os custos fixos, os custos variáveis e os custos não-operacionais. Desta forma, será possível chegar a um preço que traga lucro ao invés de prejuízo.

Com o mesmo exemplo, vamos supor que, para obter a peça por esse valor, o microempreendedor precisou pegar o carro e ir até um município vizinho. Para isso, houve um gasto de combustível – ou seja, um valor que deve ser levado em conta.

Em alguns casos, há ainda o tempo de trabalho do colaborador, o valor pago pelo aluguel do imóvel, água, luz, telefone… Enfim, há custos ocultos em cada venda que você faz que precisam ser descritos e diluídos sobre a venda dos produtos. Só então, quando você obtém esse valor médio, consegue formular um preço de venda mais condizente com a realidade.

Lembra dos R$ 25 de lucro? Se, por exemplo, foi gasto R$ 30 de combustível para ir buscar a peça em outra cidade, é sinal que no final das contas não valeu a pena e, além do tempo perdido, também houve um prejuízo de pelo menos R$ 5.

Como funciona a margem de lucro de um produto?

Agora que embalamos no ritmo de lucro e preço de venda, vamos aos detalhes sobre a margem de lucro. Basicamente, margem de lucro é o percentual que se espera ganhar após a venda de um determinado item ou prestação de serviço.

Ou seja, sobre cada transação há um percentual que você espera ganhar e esse número varia de segmento para segmento. Vamos supor que você deseja ganhar 10% sobre cada transação do seu negócio. Nesse caso, você deve calcular todos os custos do produto e, sobre o valor final, acrescentar a margem de lucro pretendida [no caso, 10%].

Vamos voltar mais uma vez então ao nosso exemplo. Se a peça custava R$ 50, mas somando o custo de combustível (R$ 30) e mais despesas eventuais diluídas, a empresa chegou à conclusão que o custo efetivo da peça é de R$ 90. Se o microempreendedor almeja ganhar pelo menos 10% nessa transação, o preço mínimo que pode cobrar por ela é de R$ 99 (R$ 90 + 10%, ou seja, R$ 9).

Veja que, de início, parecia que havia um lucro de R$ 25, mas, na verdade, a empresa estava tendo prejuízo. É justamente por isso que é importante observar as despesas fixas e os custos que estão ocultos em cada transação. E #ficaadica: negócios que operam com margens de lucro mais baixas, como 2%, devem redobrar a atenção, pois podem estar trabalhando de graça ou pagando para trabalhar.

Existe uma margem de lucro ideal?

Na verdade, não há uma resposta exata para essa pergunta. Alguns especialistas afirmam que, no caso de serviços, o recomendado é uma margem de lucro de pelo menos 20%, mas convenhamos que diversos fatores podem deixar esta meta inviável. Já na indústria, a média é de 8% de margem de lucro sobre um produto, mas esse número pode ser até mesmo de 2%.

Portanto, é bom ter em mente que a decisão de quanto será a sua margem de lucro não deve ser aleatória. Você também precisa pesquisar a média do mercado junto aos seus concorrentes. Além disso, as margens podem variar de produto para produto, o que torna necessário um cálculo individual sobre cada item.

Por exemplo, se a maioria dos seus concorrentes pratica uma margem de lucro de 8%, então, se você decidir ganhar 20% sobre cada produto, certamente terá muito mais dificuldades de vendê-lo. Isso porque o seu preço final será mais alto do que a média praticada pelos seus concorrentes e, consequentemente, faz com que os consumidores deixem de lado a sua oferta.

Então, meu caro, liga o som para embalar a calculadora e bora emplacar por aí o nosso novo hit: “Lucro, no meu negócio eu lucro”! Ah! E já ia me esquecendo! Saiba tudo sobre lucratividade na série especial do Agiliza!

Quer receber conteúdos exclusivos?

Junte-se a mais de 200.000 pessoas